Leve a harmonia do samba para a sua empresa

At carnivalO Carnaval já está aí. E quem disse que a folia de Momo não tem absolutamente nada a ver com o mudo corporativo? Segundo o o consultor e palestrante Marcos Morita, as empresas têm muito o que aprender com as escolas de samba. Duvida?

O especialista garante que, apesar de assistirmos aos desfiles desde criança, pouco reparamos no planejamento, organização e execução do evento. “Nós focamos nossas atenções só às pirotecnias de carnavalescos brilhantes”. Então, colocado o pano de fundo, vejamos algumas lições que podemos extrair de todo esse contexto:

Enredo:
Proveniente do verbo enredar, significa literalmente prender na rede, entrelaçar. Em uma história, seria o ato de juntar as ações numa sequência lógica de espaço e tempo. “As agremiações o escolhem logo após o término do Carnaval, o qual guiará o tema, a fabricação das fantasias, as alegorias e a composição do samba do próximo ano: quesitos que precisam estar em perfeita sintonia com o enredo. Já pensou quantas empresas encontram dificuldades em alinhar os objetivos de seus colaboradores, a estratégia e as metas fixadas pela alta direção?”, questiona Marcos.

Evolução e conjunto:
Esse quesito vale ouro, mas poucas empresas sabem empregá-lo bem. De acordo com o consultor, velocidade, forma, animação, movimentação, compactação e uniformidade são critérios avaliados pelos jurados das escolas de samba. “Eventuais buracos nas alas ou alterações bruscas na velocidade do desfile são passives de penalização”, explica. Imagine agora integrantes desentrosados, desconfiados e desmotivados. Certamente a visão de conjunto e a evolução ficariam bastante comprometidas. “Empresas com clima organizacional ruim e líderes que não inspiram, dificilmente podem esperar equipes de alto desempenho, animadas, uniformes e motivadas”, observa Morita.

Mestre-sala e porta-bandeira:
Graciosidade, fantasia e bailado são critérios para o casal que literalmente carrega o estandarte da escola. Comprometidos, em geral nasceram, cresceram e irão permanecer na comunidade ou agremiação, por ela doando parte de seu tempo e dedicação. Impensável seria aceitar uma proposta para desfilar em outra escola. “Executivos e profissionais por sua vez têm seus empregos garantidos enquanto convenientes às empresas. Neste cenário, vendem seu tempo e esforço, porém morrer pelo patrão é coisa do passado”, analisa.

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Bateria:
Essa é, sem dúvidas, a ala mais empolgante de uma escola de samba, cujo objetivo é acompanhar o canto e conduzir o ritmo do desfile. Vale citar a história do Mestre André criador da “paradinha”, movimento no qual a bateria subitamente para de tocar, deixando só o cavaquinho e a voz dos puxadores. Apesar de bem avalido pela crítica, sua utilzação aumenta as chances que o samba “atravesse”, podendo a bateria retornar ao ponto errado da letra. “Num ano que promete ser tão ou mais enfadonho que 2014, o que sua empresa têm feito para seus funcionários não percam o pique?”, pergunta o especialista.

O consultor diz, ainda, que os mais ligados aos desfiles talvez tenham sentido falta da comissão de frente, rainha da bateria, ala das baianas e velha guarda, elementos que compõem a intrincada teia de uma escola de samba. “Integrá-los e colocá-los na avenida em uma hora de desfile, coordenando mais de duas mil pessoas motivadas, entrosadas e com o mesmo propósito e objetivos, é tarefa que poucos CEOS conseguiriam, considerando o pouco tempo de treino e o fato de que a grande maioria dos integrantes está ali por vontade própria, sem nada receber”, compara.

Talvez você não tenha a mesma criatividade de um grande carnavalesco, a energia de um puxador de samba enredo, a graciosidade de um porta-bandeira, e nem queira que seus funcionários saiam vestidos de baianas. Porém, comprometimento, doação, motivação e harmonia são quesitos que não fazem mal a nenhuma equipe. Enfim, ainda que não vá para avenida, talvez valha a pena levar algumas de suas lições para o mundo corporativo. “Só não queira colocá-las em prática na quarta- feira de cinzas. É “atravessar” na certa”, finaliza Morita.

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