Empresas Familiares e Seus Desafios

Empresas familiares e seus desafios
Empresas familiares e seus desafios

As empresas familiares têm como característica o fato de ter surgido do esforço da própria família em formar uma empresa pequena, média ou grande, em que todos os membros da família possam contribuir e trabalhar para o desenvolvimento e sucesso da atividade.

A formação das empresas familiares tem certas peculiaridades e uma delas é o fato de o chefe da família ser o dono do negócio, na maioria das vezes, o que pode gerar um conflito de interesses.

Veremos que a gestão da empresa familiar encontra diversos obstáculos que valem a pena ser discutidos.

Gestão das empresas familiares

Como falamos acima, alguns fatores geram maior desafio para uma empresa de familia e um deles é a Liderança.

A liderança gera dificuldade na empresa familiar, uma vez que os membros da família podem ir a direções diferentes no que tange opiniões e objetivos para com a gestão geral da empresa ou orçamento. Integrar, portanto, se torna uma tarefa difícil e o consenso então mais difícil ainda.

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Vocação e empreendedorismo são sempre o que forma as empresas familiares  e considera-se que todos os membros da família devem empreender em conjunto. Isso é um mito, pois por pertencer a uma mesma família, os membros não têm a obrigatoriedade de serem iguais e os dons se diferem, ou seja, nem todos os membros terão perfil empreendedor.

Pode haver um membro da família que não necessariamente terá vocação para empreender. É necessário compreensão para com este membro e assim fazer com que ele sinta a liberdade de seguir seus próprios talentos.

Organizando a empresa com familiares

As empresas familiares possuem três pilares básicos que sustentam a estrutura: família, propriedade e negócios e, por isso, todas as decisões orçamentárias e de gestão afetam a todos os membros e se torna objeto de conflitos se não houver uma direção profissional e amadurecida.

Para isto se faz necessário a formalização de alguns fatores de gestão e um desses fatores capazes de criar integração, direção e uma gestão mais responsável é a criação de uma Governança Corporativa.

A Governança Corporativa é um caminho a ser trilhado que tem início com a consideração de quatro fatores-chaves:

Identidade empresarial – as empresas familiares devem ter bem claro e integrado qual a missão da empresa, quais seus valores e possuir disposição para cumprir com todas as normas éticas e valores que farão da empresa uma corporação responsável e sustentável.

Direção – saber onde está indo é fundamental para as empresas familiares, possuir objetivos e trabalhar juntos para a concretização dos mesmos. Com isso é necessário estabelecer uma missão fundamentada na visão de futuro com base no planejamento estratégico para alcance de metas.

Disciplina – ter disciplina é fator crítico de sucesso para as empresas familiares, pois todos devem respeitar os horários, a divisão de tarefas e trabalhar para alcançar um desempenho satisfatório, por isso a gestão de pessoas na empresa familiar constitui também uma questão a parte.

Flexibilidade – a flexibilidade é outro fator crítico de sucesso, pois mudanças que acompanhem as tendências e que são necessárias para o alcance de eficiência não devem ser jamais negligenciadas em empresas familiares.

Mitos sobre as empresas familiares

Um dos maiores mitos sobre as empresas familiares é considerar que essas empresas são formadas apenas por micro e pequenas empresas. Apesar das micro e pequenas empresas terem potencial para contribuir com o desenvolvimento econômico e social do país, as empresas familiares possuem também potencial para crescer e até exportar seus produtos ou serviços.

Outro mito a se considerar é quanto à ética empresarial das empresas familiares, que pode ser alcançada com conscientização e firmeza da liderança.

Conselho administrativo de uma empresa familiar

É aconselhado que mesmo as empresas familiares, que não são obrigadas a manter um Conselho Administrativo por serem empresas S/A e que não abriram capital, tenham este conselho, pois o Conselho Administrativo oferece uma oportunidade de manter a direção e a integração nas decisões.

O Conselho Administrativo existe para manter garantidos os interesses dos acionistas e empresas. A empresa pode optar por um conselho consultivo ou administrativo; o importante é que o Conselho aponte e oriente alguns fatores importantes:

Perspectivas – muitas vezes, alguém de fora da organização tem uma visão e uma perspectiva mais ampla e elevada e de forma sistêmica e estratégica.

Identificação de oportunidades e mudanças necessárias – contribui para identificar as oportunidades e transpor desafios.

Auxílio nas crises – as empresas familiares pode, como qualquer empresa, encontrar momentos de crises em que a missão e objetivos são repensados e discutir sobre as crises é bem cabível nos Conselhos onde poderá surgir soluções.

Objetividade nas decisões – decisões sobre planos estratégicos, e até mesmo a sucessão, serão discutidos de forma mais clara, transparente e acessível.

Ética nas empresas familiares

A ética deve nortear todas as decisões da empresa familiar quanto à divisão de lucros, ao respeito do pró-labore como única remuneração da direção e outras questões éticas.

Deve ser, portanto, obedecido o princípio da entidade, pois o patrimônio da empresa é distinto do patrimônio da família, pela Resolução n° 750 que regem os princípios da Contabilidade. Por isso é necessário ética para o uso de bens e capital pertencente à empresa e que serão utilizados para o desenvolvimento da atividade.

Outro fator ético importante a ser discutido pela empresa familiar é quanto à gestão de pessoas na seleção, contratação e promoção, já que devem beneficiar os interesses da empresa e não os interesses de seus membros.

Sucessão nas empresas familiares

A sucessão nas empresa familiares é uma questão sempre discutida e polêmica, pois surgem questões como: o preparo dos sucessores, a motivação pessoal e profissional e ainda os conflitos que podem surgir.

Por isso, a sucessão deve ser vista como motivo de preparação, não só a preparação do sucessor, mas de toda a equipe com clima organizacional e cultura que dê suporte a uma sucessão tranquila, transparente e com consenso de todos.

A empresa deve sentir que a sucessão foi realizada de forma sábia e justa e que o sucessor foi preparado com qualificação acadêmica e experiência profissional, portanto, suceder é um processo que deve ser desenvolvido com responsabilidade livre de conflitos, fruto das empresas familiares amadurecida e com clima organizacional propício.

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