Sidney Bezerra: formando profissionais para a construção civil

Sidney Bezerra
Sidney Bezerra

Engenheiro Elétrico formado pela Universidade de Brasília, com Pós graduação em Gestão de Negócios pela Fundação Getúlio Vargas, Sidney Bezerra está no mercado há mais de 30 anos.Um dia, trabalhando na construção de uma escola em Brasília, se deparou com um problema: falta de mão de obra qualificada. Foi então que, junto com seu sócio, Miguel Pierre, pensou em uma escola que pudesse qualificar profissionais para a construção civil. Assim nasceu a Concretta.

A rede foi pioneira no segmento e hoje já conta com mais de 45 unidades em diversas cidades brasileiras. E a meta de Sidney não é modesta: ele pretende abrir 300 escolas até 2017. Isso porque o empresário não acredita que o aquecimento do setor se deu só pela Copa do Mundo. “Se há vagas no mercado, há espaço para qualificação profissional”. E, para ele, o mercado não vai parra de crescer tão cedo.

Nesse bate papo com o Novo Negócio, Sidney conta como a Concretta foi idealizada, o que ele e o sócio pesquisaram para abrir o negócio e diz quais são as expectativas para os próximos anos. Confira:

Novo Negócio – Como vocês detectaram um nicho na construção civil?
Sidney Bezerra – Com mais de 12 anos de experiência nas áreas de franquia, gestão e operação de escolas, eu e meu sócio, Miguel Pierre, vimos no mercado brasileiro de construção civil uma oportunidade para o empreendedorismo e diante do vasto mercado de serviços abertos no segmento. Estávamos montando uma escola em Taguatinga, Brasília, e tivemos dificuldade de encontrar mão de obra, serviços e profissionais qualificados. A partir deste momento tivemos a ideia de qualificar essa mão de obra. Após contratar uma consultoria e realizar o levantamento de mercado, descobrirmos que não havia nenhuma rede nesse segmento. Com uma proposta inovadora que alia sustentabilidade, aulas práticas e teóricas, o nosso modelo de ensino oferece desde cursos básicos de dois meses até modelos de 12 meses de duração. Idealizada de forma estratégica, a primeira unidade da franquia fica em Taguatinga – Brasília e funciona desde junho de 2012 e contribui para o desenvolvimento de um dos maiores canteiros de obras da América Latina. Segundo pesquisa da CNI (Confederação Nacional das Indústrias), cerca de 70% das empresas no Brasil sofrem com a falta de mão de obra no setor da construção civil e Brasília é um dos principais nichos.

Novo Negócio – A escola foi bastante pensada antes de ser inaugurada. O que vocês levaram em conta?
Sidney Bezerra – Avaliamos como poderíamos montar um modelo que alinhasse o ambiente escolar com o ambiente de canteiro de obra. Uma escola onde o aluno pudesse ter um bom aproveitamento, tanto acadêmico como prático, em todos os cursos que oferecemos. Tivemos alguns pontos que levamos em conta antes da abertura do negócio: 1) Como colocar alunos semianalfabetos dentro de uma sala de aula já que em? 2)  Alguém pagaria para fazer cursos de pintura, instalação hidráulica, elétrica etc., já que algumas destas profissões não são vistas pelos jovens como uma profissão de destaque no mercado? 3) Como viabilizar o aprendizado prático dessas profissões em um imóvel  de tamanho em torno de 300 a 400m², que é o tamanho padrão de uma escola? Vivemos todas estas experiências na nossa unidade piloto em Brasília e comprovamos que o nosso modelo atendeu a todas estas expectativas. Só a nossa escola piloto formou em 2013 mais de 1.000 alunos.

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Novo Negócio – Você acredita que o aquecimento no setor da construção civil irá até quando? Muitos davam o crédito desse crescimento à Copa do Mundo…
Sidney Bezerra – Acredito que a construção civil ainda terá muitos anos de aquecimento, independente da Copa do Mundo. A Copa do Mundo impulsionou o mercado em anos anteriores, mas a construção civil ainda deverá crescer 2,8% este ano. O porcentual é apenas levemente superior ao do crescimento previsto para o Produto Interno Bruto (PIB), de 2% . Em fevereiro de 2014, o total de trabalhadores empregados no setor de construção civil no País aumentou na comparação com o mesmo mês de 2013, mostrando crescimento de 2,04%, totalizando 3,491 milhões de pessoas, de acordo com o SINDUSCON-SP/FGV. Projetos de infraestrutura, lançamentos de prédios residenciais e comerciais e “reformas formiguinhas” vão movimentar R$ 255 bilhões neste ano de 2014. Se há construções, sejam de edificações ou de infraestrutura, ou ainda a chamada “construção formiguinha”, que inclui reformas e “puxadinhos” feitos por pequenas empreiteiras e profissionais autônomos, isso nos mostra um crescimento de mão de obra no setor, que tem tudo a ver com segmento educacional. Se há vagas no mercado, há espaço para qualificação profissional.

Novo Negócio – A rede é nova. Qual foi a pior dificuldade até agora e como passaram por ela?
Sidney Bezerra – Como qualquer rede pioneira, tivemos o desafio de desbravar um novo mercado, que é o modelo 3 em 1, correspondente a franquia + educação + construção civil. Na montagem do negócio surgiram dúvidas como:  será que teremos clientes para os nossos cursos? Será que encontraremos professores do segmento para ministrar os cursos da Concretta? Quanto um aluno pagaria para se qualificar através dos nossos cursos? Mas estas dúvidas foram todas sanadas através de pesquisas feitas com nosso público alvo durante o processo de montagem do negócio entre 2009 e 2012. Contratamos consultorias especializadas como a Vecchi Accona e Bittencourt, ambas do segmento de franchising e consultorias da FAAP para fazer pesquisas de mercado junto ao nosso público alvo e avaliar a aceitação do produto. Todas nos ajudaram bastante a avaliar todos os riscos do negócio, e a montar todo o planejamento para franquear a operação. O Resultado está ai: Estamos com 45 unidades vendidas  em menos de dois anos de vida. 2013 foram 7.000 alunos formados. A Concretta mudou e continua mudando a vida de muitas pessoas.

“No Brasil ainda existem vários entraves que dificultam o empresário a operar seu negócio. Entre eles podemos citar a carga tributária. O país ainda precisa passar por mudanças significativas para trazer melhorias neste aspecto. Uma reforma tributária é fundamental para melhorar a economia”.

Novo Negócio – A propaganda da Concretta era feita por você e seu sócio, em uma kombi. Vocês ainda utilizam essa tática para captar alunos? Sidney Bezerra – Este é um dos grandes diferenciais da Concretta, o “marketing de guerrilha”, onde usamos esta e outras ferramentas de marketing para impulsionar nossas vendas,  buscando o cliente na rua, na  casa dele,  na obra onde trabalham, ou onde ele estiver e assim aumentando o número de matriculas na escola. Hoje, na unidade piloto, temos uma equipe treinada que sai às ruas na kombi toda adesivada divulgando a escola e matriculando alunos da periferia ou profissionais nas obras. Nossa Equipe comercial chega nas obras das construtoras da região  em torno de 6h30 da manhã, na hora do café, para fazer palestras de divulgação da escola e doar “vouchers” de mini cursos gratuitos de elétrica, hidráulica, etc.. que são cursados na escola para que os profissionais tenham a oportunidade de conhecer nossos cursos e ter uma degustação do nosso serviço e da qualidade de nossas aulas. Esta expertise de captação é repassada a outras franquias através de nossa equipe de operação que treina a equipe comercial para aumentar  o número de vendas.

Novo Negócio – Em pouco tempo vocês conseguiram estar presentes em todas as regiões do Brasil. Que avaliação você faz do negócio nesses primeiros anos?
Sidney Bezerra – Iniciamos a operação em 2012 e naquele ano vendemos 12 unidades. Estamos com quase dois anos de vida com mais de 45 unidades em operação em várias regiões. Isso representa um crescimento de quase 400% de expansão da rede. Já formamos mais de 7 mil alunos em 2013 e estamos dobrando este número este ano.  Isso representa ajudar a várias pessoas a conquistar seu primeiro emprego e a outros a melhoraram de vida através da qualificação. Temos franquias faturando mais de 60 mil reais antes dos seis meses de vida, seis meses antes do prazo pelo plano de negócios.  E temos franqueados comprando uma segunda unidade. Isso mostra que estamos no caminho certo.  A avaliação é extremamente positiva. Porém, acredito que o aprendizado é constante. Aprimoramos os treinamentos das equipes de vendas e pedagógicas das franquias e estamos a cada dia melhorando nossos processos para atingirmos a excelência.

Novo Negócio – O sistema brasileiro ajuda o empreendedor? É difícil ter um negócio aqui?
Sidney Bezerra – Ter um negócio próprio no Brasil não é para qualquer um. Existem riscos e muitas pessoas não estão preparadas para enfrentá-los. Significa muitas vezes não ter hora para ir para casa, tendo longas jornadas de trabalho, as vezes até mais de 12 horas por dia. Exige algumas vezes trabalhar finais de semana, abdicar de momentos de lazer com a família e amigos. Isso é o preço da escolha. A vida exige sacrifícios que muitas vezes as pessoas não estão preparadas para encarar. Manter o negócio operando também é um desafio. A mortalidade de empresas no Brasil com menos de dois anos de atividade ainda é de 24%, de acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que muitas vezes ocorrem por falta de competência ou planejamento. Vários empreendedores aprendem na prática, sem muito apoio. Muitos por vocação, outros por coragem. Acredito que não tenha uma cultura no Brasil bem estabelecida a este respeito. Muitas das nossas escolas do ensino médio e universidades ainda não estão  preparadas para formar pessoas empreendedoras. Elas conduzem o estudante a buscar um emprego seguro e a não correr riscos.É necessário disseminar a cultura em­preendedora desde a educação infantil, pois só assim iremos criar uma cultura empreendedora na sociedade, que sinalize positivamente para valores que priorizem a geração e distribuição de riquezas, a inovação, a cidadania, a ética, a liberdade em todos os níveis, o respeito ao homem e ao meio ambiente, ao invés de tradições em que estimulem o emprego (principalmente em órgãos públicos), o medo ao risco e ao erro, a dependência dos governos, que impe­dem a criação de capital social através da cooperação estendida socialmente. No Brasil ainda existem vários entraves que dificultam o empresário a operar seu negócio. Entre eles podemos citar a carga tributária. O país ainda precisa passar por mudanças significativas para trazer melhorias neste aspecto. Uma reforma tributária é fundamental para melhorar a economia. Outro ponto é a burocracia para se abrir uma empresa. Hoje leva-se mais de 90 dias para se conseguir isso. Vamos esperar este ano de 2014 pois há uma promessa do governo feita ano passado pela Presidente Dilma do lançamento de um novo portal chamado “Empresa Simples” que reduzirá este  tempo para cinco dias. Vamos ver se será cumprido.

Novo Negócio – No ano passado vocês estiveram na lista das franquias que valem o investimento, segundo a revista PEGN. Como receberam a notícia?
Sidney Bezerra – Ficamos muito honrados de estarmos nesta lista e sabemos que temos muita responsabilidade em nos manter como no mercado como um bom investimento para o franqueado.  A PEGN é uma revista de caráter extremamente empreendedor. Qualquer pessoa que deseja ter hoje um negócio próprio, lê a revista para ter uma ideia do que existe de novidades no Mercado principalmente no segmento de franquias. Sabemos que hoje o investidor tem muitas opções de investimento no Mercado e muitas vezes não sabe em qual investir. A Concretta é uma novidade e vem preencher a lacuna da falta de mão de obra qualificada no Mercado de construção civil. Nosso negócio tem um valor de baixo investimento em função do retorno, em um prazo de 18 a 24 meses. Uma escola da Concretta necessita de um investimentos em torno de R$250 mil reais de montagem, e pode faturar mais de 1 milhão de reais/ano dando ao franqueado uma rentabilidade de 15 a 25% desta faturamento bruto. É um bom negócio.

Novo Negócio – Para fazer dar certo é fundamental ter bons parceiros. Como é a escolha do franqueado? O que vocês priorizam?
Sidney Bezerra – Após o interesse do investidor em se tornar um franqueado, o mesmo preenche um questionário para avaliarmos suas características e realizamos algumas entrevistas para saber se tem espírito empreendedor e se encaixa no perfil desejado. É fundamental que ele seja o operador do negócio, ter capital para investir,  capacidade gerencial e identificação com nossa cultura. Deve, além disso, gostar de desafios, e saber seguir regras. Estas são condições que acreditamos que são essenciais para ele ao ter todo o treinamento no nosso negócio possa desenvolver um bom trabalho e fazer toda a diferença no resultado final da sua franquia.

Novo Negócio – Vocês apostam em uma expansão mais agressiva ou um pouco mais contida? Por que?
Sidney Bezerra – Buscamos uma expansão agressiva. Acreditamos que vamos atingir isso dentro da meta estabelecida de chegar a 300 escolas até 2017. Este ano de 2014 estamos prevendo chegar em dezembro com 100 escolas em operação. Acredito que o Brasil vive um momento de pleno emprego, mas faltam pessoas qualificadas. Segundo estudo do SINDUSCON-SP, a construção civil pode chegar a ter, este ano, 3,6 milhões de trabalhadores –  um recorde para o setor.  Isso é ótimo para nosso segmento. Estas pessoas precisam de qualificação. São pessoas que já atuam dentro do segmento e  que estão buscando crescimento profissional dentro da empresa onde trabalham. Outras estão entrando neste mercado pela primeira vez e precisarão de qualificação. Há necessidade de pessoas qualificadas em todas as regiões do Brasil na área de construção civil e a Concretta  veio para atender esta demanda!

Novo Negócio – Para este ano vocês tinham planos de vender uma pequena parte para fundos de investimento e, ano que vem, partir para a Bolsa de Valores. Isso ainda está de pé? Por que tomaram essa decisão?
Sidney Bezerra – O plano de venda surgiu depois que tivemos interesse em 2013 de alguns fundos em adquirir parte da empresa.  E ainda há interesse de nossa parte. A venda da participação a um fundo de private equity costuma facilitar bastante o processo de abertura (IPO), pois, além da injeção de capital, essas instituições auxiliam na reestruturação administrativa e de gestão da empresa.   Estamos numa fase de crescimento da empresa e uma aquisição por um destes fundos no momento certo com certeza nos ajudará a fazer esta reestruturação. Porém isso significa uma mudança completa na forma de gerir o negócio. Envolve mudanças nos processos de tomada de decisões — estas passam a ser realizadas de forma conjunta nos conselhos de administração — e divulgação obrigatória de informações até então sigilosas.  Portanto, estamos nos preparando para quando a oportunidade chegar estarmos prontos.

Novo Negócio – Existe segredo para o sucesso?
Sidney Bezerra – Não me parece que existam procedimentos padrões para se ter sucesso, mas penso que sucesso é sinônimo de comportamentos e atitudes que muito ajudam a alcançá-lo. Por exemplo: muito estudo do Mercado onde você atua, aliado a dedicação, esforço continuo, obstinação e foco são características fundamentais para o êxito, tudo aliado a uma pitada de sorte. Ai, você me pergunta o que é sorte: Eu respondo: sorte é quando a preparação encontra a oportunidade.

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