Flávia Falci: sem medo das mudanças

Flavia Falci
Flavia Falci

Meta. Assim Flávia Falci define seu trabalho. A empresária divide com a irmã, Andréa Falci, a responsabilidade de dar continuidade ao sonho da família, que chegou ao Brasil em 1890, vinda da Itália.

A Chocolates Falchi foi a primeira empresa do clã no Brasil. Com quase um século, foi comprada pela Lacta. Foi a hora de começar a mudança. Nessa época – 1989 -, Flávia e Andréa eram adolescentes e iniciaram a produção de chocolates em casa. O negócio deu tão certo que, cinco anos depois, a mãe cedeu um espaço dentro da sua confecção para que os chocolates pudessem ser feitos.

Com a grande demanda, em 1998, surgiu a primeira loja. Por sugestão da avó, batizada de Doce Cacau. Dois anos depois, foi inaugurada a primeira franquia. Em 2011, a empresa passou por uma grande reformulação e deu lugar à Qoy Chocolate Experience.

Nesse bate papo com o Novo Negócio, Flávia Falci fala sobre as mudanças na empresa e nos hábitos do consumidor e sobre o mercado. Veja:

Novo Negócio – A história de vocês com o chocolate começou muito cedo. Poderia nos contar? 

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Flávia Falci – Tudo começou em 1890 quando a família Falci migrou da Itália para o Brasil. Parte da família se estabeleceu em Belo Horizonte (MG) e entrou para o ramo do comércio de materiais de construção, a outra parte ficou em São Paulo (SP) e, nesta mesma década, fundou os Chocolates Falchi. A Falchi foi a primeira fábrica de chocolates de São Paulo e uma  das maiores empresas de chocolates brasileiras. Na década de 1980 ela foi comprada pela Lacta. A magia do chocolate sempre esteve na família. Em 1989, eu e minha irmã Andréia Falci escolhemos o chocolate como forma de buscar  a independência financeira e  algo prazeroso de se fazer. A produção era em casa, as receitas vieram da família e o capital inicial também. O cuidado, a criatividade e a persistência foram fundamentais, no início do negócio. Em 1994 a cozinha foi transferida para um espaço exclusivo, dentro da confecção da nossa mãe. Com a profissionalização do negócio, foi necessária a contratação da primeira funcionária e houve a divisão de tarefas entre nós duas. Com maior habilidade no desenvolvimento de receitas, Andréia assumiu a produção e com um tino comercial maior, e eu assumi o comercial. Com o aumento da capacidade de produção, inevitavelmente em 1998, nasceu a primeira loja. Este foi o momento de escolher o nome. Foi escolhida e registrada a sugestão da avó, “Porque não um nome brasileiro, como Doce Cacau”. Em 2000, inauguramos a primeira franquia, o quiosque no Shopping Cidade (BH). Também nesse ano, a fábrica da Doce Cacau mudou-se para um espaço onde até hoje são fabricados os chocolates. Espaço este todo planejado e adaptado para criar, desenvolver e fabricar o que há de melhor em chocolate. Pelo reconhecimento do trabalho, a Doce Cacau se preocupar sempre em oferecer produtos diferenciados, foi eleita pela revista Veja, por dois anos consecutivos, como sendo o Melhor Chocolate de BH. Em 2005 a Doce Cacau trouxe também para o negócio a cafeteria.

Novo Negócio – Por que, após tantos anos, vocês resolveram fazer um reposicionamento no mercado, mudando, inclusive, o nome da marca?

Flávia Falci – O mercado é rápido e dinâmico e estar atento a ele nós faz, se necessário, refazer estratégias e reprogramar. Nós como empreendedores temos que estar atentos aos sinais e, muitas vezes, precisamos de ajuda de empresas especializadas e foi essa ajuda que fomos buscar. A Doce Cacau contratou uma empresa de mercado para apresentar uma pesquisa do negócio em busca de tendências e planejamento. Na década de 1970 o chocolate era consumido por crianças como guloseimas de baixa qualidade (pirulito guarda-chuva) e dado como presentes finíssimos para mulheres. O homem neste momento não tinha hábito de consumo. Na década de 1980 com o impacto da praga Vassoura de Bruxa, nos cacaueiros na Bahia, houve o subsídio do governo, na produção do cacau. A Nestlé e a Quaker entraram com grandes campanhas publicitárias mudando a percepção do chocolate. Chocolate agora é ENERGIA, “energia que dá gosto”, e como as mães são modernas vão colocar na mamadeira dos filhos.  Este foi o momento que o hábito de consumo do brasileiro foi mudado, o café da manhã teve novo ingrediente e o chocolate passou a fazer parte, diariamente do consumo, inclusive entrando no mercado masculino. As tendências nos foram apresentadas, pela empresa de mercado, e tomou-se a decisão pelo crescimento e pela conquista de novos mercados, para isso o modelo tinha que ser ajustado. Nova pesquisa foi encomendada, agora para saber mais sobre consumo, sabores e impulsos. Um grande desafio, desenvolver uma nova marca com a essência da Doce Cacau, algo estudado, planejado, que trouxesse sabores e experiências inéditas. Seria trabalhado o consumo sensorial, a experiência em deliciar-se e se entregasse ao universo do chocolate. Um negócio exclusivo, com critérios internacionais de qualidade que levasse o consumidor ao mundo inigualável do chocolate e seus sabores. O grande trabalho seria com base na gastronomia.

Novo Negócio – Como vocês chegaram ao nome Qoy?

Flávia Falci – O nome Qoy surgiu através de pesquisas que levaram à origem do chocolate. Para os povos mais antigos da América Central, o cacau era considerado uma moeda de troca muito preciosa e dele era produzido uma bebida de sabor forte, amargo, porém revigorante. Com a colonização espanhola na região, a bebida foi levada para a Europa e modificada, tornando-se mais doce e bem próxima do que conhecemos hoje. No dialeto destes povos colonizados não havia uma palavra para expressar individualmente o ato de se entregar, de desejo, de se apaixonar, algo realmente precioso. Para isso, eles usavam a palavra Qoy, que quer dizer preciosidade. O suco do cacau era Qoy, o que a semente do cacau podia valer em troca era Qoy. Diante da tamanha preciosidade que o chocolate representa, a Qoy Chocolate Experience traz um conceito inovador: ela não só vende produtos preciosos, mas traz um ambiente todo pensado para que as pessoas tenham experiências com o chocolate por meio dos sentidos. A Qoy Chocolate Experience chega ao mercado para romper fronteiras e oferecer o que tem de melhor: seus maravilhosos sabores e misturas vindos do cacau. Tudo isso aliado a linhas de produtos que vão potencializar a venda para o público chocólatra aumentando o consumo e o nicho de mercado.

“A cada dia me vejo mais rápida, mais eficiente, mas dinâmica e a empresa também”.

Novo Negócio – A proposta da empresa é a experiência multissensorial com o chocolate. Como chegam a esse resultado?

Flávia Falci – Foi desenvolvido um estudo gastronômico do chocolate que nos fez mergulhar no universo de aromas e sabores. Combinações perfeitas com frutas, especiarias, licores e muito mais que convidamos o cliente a viver uma experiência única.

Novo Negócio – O chocolate é um produto que tem apelo? Mesmo com tantas lojas por aí, ainda é possível encontrar um espaço no mercado?

Flávia Falci – Cada vez mais o consumidor está conseguindo entender as propostas das marcas existentes. Chocolate não é igual em todas as empresas, cada uma tem uma proposta e um público. No nosso ramo existem empresas de chocolate que se sustentam na tradição, outras em preço, a Qoy tem a gastronomia, o design e a preciosidade como a forma de trabalho.

Novo Negócio – Você trabalha com a sua irmã desde sempre. Trabalhar em família é mais complicado? O que uma empresa familiar precisa ter para dar certo?

Flávia Falci – Apesar de sermos diferentes fomos criadas da mesma forma, isso facilita a questão da confiança que é fundamental na empresa. Nossa forma de trabalho dá certo, pois apesar de na maioria das vezes pensarmos diferentes, conseguimos construir vários projetos juntas, melhor do que se estivéssemos separadas. Dessa forma, unimos nossos pontos de vista. O que facilita o dia a dia é a definição clara de funções e responsabilidades.

Novo Negócio – Foi difícil iniciar o negócio na década de 90?  Que panorama vocês enfrentaram?

Flávia Falci – Não. Quando assisti a palestra do sociólogo Domenico De Massi fiquei feliz de ver que em breve teríamos tecnologias que nos ajudariam a ter mais tempo para o ócio criativo. Mas não vejo esse tempo chegar. A cada dia me vejo mais rápida, mais eficiente, mas dinâmica e a empresa também. Percebo que para estarmos no mercado, trabalhamos cada vez mais, nos dedicamos mais, nos reinventamos mais, o panorama é extremante competitivo. Estar na mente do consumidor é uma meta diária para todos.

Novo Negócio – A decisão de expandir o negócio por meio de franquias foi uma consequência do crescimento da marca ou foi estratégia de mercado?

Flávia Falci – Nosso negócio é indústria e indústria precisa de volume, a expansão através de franquias foi uma estratégia, pois se dilui esforços. Nós ficamos com a produção, ações e norteamento da rede e o franqueado fica com a administração do ponto comercial. Além disso, em vários cenários de mercado vê-se a franquia como forma mais segura de abrir um negócio e é isto que vemos.

Novo Negócio – Qual é a expectativa de crescimento da Qoy? O que vocês esperam para os próximos cinco anos?

Flávia Falci – Nossa estrutura fabril atende a 25 lojas. Nosso objetivo em 2017 é estar com 100 unidades.

Novo Negócio – Fazendo um balanço do mercado e do seu empreendimento, que avaliação você tem hoje?

Flávia Falci – Quando começamos vendíamos muito presente. Hoje vendemos presente e consumo. O consumo do chocolate no Brasil está crescendo a cada dia, o chocolate tem benefício à saúde e o cenário é bom, mas junto com ele temos a indústria nacional e as indústrias do mundo que veem no Brasil um grande mercado. Ou seja, apresar de ser um bom mercado temos que nos inovar a cada dia e isso só acontece com muito esforço.

Novo Negócio – Deixe uma dica para quem tem uma boa ideia e quer iniciar seu próprio negócio.

Flávia Falci – Uma boa ideia não basta, precisamos ter um profundo conhecimento do mercado e uma estratégia inovadora. Além disso, é importante se ter um plano de negócio e capital para implantá-lo! A dica é muito trabalho e sorte!

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