Cleusa Maria da Silva: a identidade por trás da Sodiê




Cleusa Maria da Silva
Cleusa Maria da Silva

Acomodação é uma palavra que não existe no vocabulário de Cleusa Maria da Silva, fundadora da Sodiê. A doceria existe há 17 anos e começou no interior do estado de São Paulo. Mas a vida da empresária nunca foi fácil.

Cleusa começou a trabalhar com 9 anos para ajudar a mãe, que tinha outros oito filhos e acabara de ficar viúva. Seis anos depois, ela deixou seu estado natal, o Paraná, e foi para São Paulo buscar uma vida melhor. Durante algum tempo foi empregada doméstica e, quando surgiu a oportunidade de conhecer uma outra área, ela não pensou duas vezes: se mudou para o interior e aprendeu a fazer bolos.

Com as economias que guardou durante dois anos, Cleusa abriu a primeira loja Sodiê. A loja agradou tanto que muitos clientes saíam da capital só para comprar seus bolos. Uma dessas pessoas se interessou pelo negócio e sugeriu a abertura de uma franquia na cidade de São Paulo. E a empresária topou!

A rede continua em plena expansão e hoje implementou o “test drive”, permitindo ao futuro empreendedor que acompanhe de perto o funcionamento de uma loja antes de fechar o negócio. E Cleusa cuida de tudo. “Faço questão de conhecer pessoalmente todos os franqueados, temos uma relação próxima, olho como está o movimento e ajudo no que for preciso, todos têm meu telefone celular. Acho que para se dar bem nesse mercado precisa ter um envolvimento próximo com o negócio”, observa Cleusa.

Nessa entrevista Cleusa Maria da Silva conta sobre sua vida, seus projetos e fala do mercado. Veja:

Novo Negócio – Sua vida não foi fácil. Conte um pouco sobre sua trajetória.

Cleusa Maria da Silva – Quando perdi meu pai, comecei a trabalhar como boia fria. Minha mãe tinha nove filhos para sustentar, além de mim que estava com 9 anos. Com 15, saí do Paraná para tentar a vida em São Paulo como empregada doméstica. Depois fui para Salto, interior do Estado, e lá tive a oportunidade de trabalhar como boleira. Nessa época eu já tinha o meu filho mais velho, Diego, com 8 anos e agarrei a oportunidade que me foi dada. Durante cinco anos, a Sodiê foi uma loja com 20 m². Não folguei um único domingo! Demorou muito, passei muito tempo entregando bolos a pé até que um antigo cliente e amigo sugeriu abrir a primeira franquia em São Paulo Capital. A partir deste impulso, a Sodiê começou a tomar a forma de hoje.

Novo Negócio – Quando você decidiu empreender? Era um sonho antigo ou a vida te levou por esse caminho?

700 Ideias de Negócios

Cleusa Maria da Silva – A única coisa que eu queria era dar uma vida digna para os meus filhos e mais conforto para a minha mãe. Essa força que acabou me levando para o empreendedorismo. Não foi algo pensado, foi muita força de vontade mesmo. Quando comecei a trabalhar como boleira percebi que era um mercado em crescimento e que eu poderia tirar dali um futuro melhor para minha família. Em 1997 abri a primeira loja Sodiê. Consegui juntar cerca de R$20 mil ao longo de dois anos e abri a loja na cidade de Salto, a cerca de 100 km de São Paulo.  Durante cinco anos, ela teve um espaço de 20m².

Novo Negócio – A Sodiê já nasceu formatada para ser franquia ou foi algo que aconteceu por força das circunstâncias e do sucesso?

Cleusa Maria da Silva – Não. No início eu nem sabia o que era franquia! A ideia foi consolidada em 2007, após cinco anos de pesquisas e pedidos de clientes que reclamavam que precisavam sair da capital (de SP) para comprar os bolos. Inclusive, um desses clientes foi o primeiro franqueado, com uma loja na Zona Norte de SP.

“Todo começo é difícil e cercado de incertezas sobre o futuro. Mas procurei manter meu foco e fé e claro, sempre ter ao lado pessoas que acreditam no negócio”.

Novo Negócio – Como descreve sua experiência no franchising?

Cleusa Maria da Silva – Eu acho que é uma forma muito mais segura de empreender. Eu poderia ter muitas lojas, mas dificilmente conseguiria estabelecer um padrão para todas. Quando a Sodiê virou franquia, o negócio foi profissionalizado e crescemos rapidamente. Com certeza foi o melhor caminho para o nosso crescimento.




Novo Negócio – O início foi difícil?

Cleusa Maria da Silva – Sim. Todo começo é difícil e cercado de incertezas sobre o futuro. Mas procurei manter meu foco e fé e claro, sempre ter ao lado pessoas que acreditam no negócio. E eu sempre valorizei muito a qualidade dos bolos, queria ter a certeza de que todas as lojas teriam condições de produzir artesanalmente bolos como o mesmo sabor que conquistaram os clientes e transformaram a Sodiê em uma franquia. Mas acho que rapidamente acertamos a mão e por isso a rede não para de crescer.

Novo Negócio – Você atribui parte do sucesso da Sodiê às balas de coco que aprendeu a fazer em um programa de TV. Como foi isso?

Cleusa Maria da Silva – A grande inspiração veio com o Programa Mais Você, da apresentadora Ana Maria Braga, que ensinou a fazer balas recheadas. Vi ali uma chance de introduzir um novo item na minha lojinha para chamar a atenção dos clientes. Foram diversas tentativas até o acerto.

Novo Negócio – As franquias de alimentação normalmente não sofrem com a sazonalidade. No entanto, precisam de novidade. Com que frequência você oferece coisas novas para os clientes?


Cleusa Maria da Silva – Os bolos da Sodiê são artesanais e como cada loja produz seu bolo, cada franquia tem o acompanhamento de uma nutricionista para manter o padrão de qualidade e sabor da marca. Além de mais de 80 sabores de bolos, também investimos em linhas especiais como a Zero Açúcar, também atendemos clientes com alergia a lactose, glúten e ovo. Outro carro chefe da marca são as balas de coco recheadas, que aprendemos com a Ana Maria Braga e foi um dos principais impulsos para a Sodiê crescer. Também trabalhamos com balas de leite ninho. Os clientes não nos veem apenas como uma empresa que comercializa bolos para aniversários ou datas comemorativas. A Sodiê é onde ele vai para degustar um delicioso doce no final da tarde, ou para presentear aquela amiga que é louca por bolo trufado ou levar para a empresa em uma tarde especial. Não costumamos lançar sabores sazonais, porque eu acho que isso é um pouco frustrante para o cliente, uma hora tem, outra hora não tem o seu sabor favorito. Mas procuramos ficar atentos ao feedback dos clientes e quando criamos um novo sabor, incluímos definitivamente no cardápio.

Novo Negócio – O cenário brasileiro é favorável para os empreendimentos?

Cleusa Maria da Silva – Doce é um produto que vende em qualquer época do ano e que o consumidor sempre procura e nunca vai deixar de consumir. Certamente é um mercado rentável. O Brasil ainda é um país que está se ajustando economicamente e socialmente. Temos um negócio que atende a todas as pessoas sem distinção.  Vendemos o ano inteiro. E a gente trabalha com um produto que é delicioso e adequado para o consumo independente do clima. Procuramos sempre renovar os sabores de acordo com o feedback dos próprios clientes e por isso estamos sempre surpreendendo o consumidor.

Novo Negócio – Em cima de que pilares você construiu a sua empresa?

Cleusa Maria da Silva – Pra mim o mais importante é ter amor pelo que está fazendo. Sem amor a receita desanda.

Novo Negócio – Qual é a sua receita de sucesso?

Cleusa Maria da Silva – Determinação e paixão. Eu nunca fui e nunca serei uma mulher acomodada. Enquanto tiver forças lutarei para realizar meus objetivos honestamente e sempre colocando a mão na massa para fazer tudo dar certo.

0.00 avg. rating (0% score) - 0 votes




 

► Dica Importante!


Independente do tipo de negócio que você deseja montar é muito importante fazer um planejamento. Estude em livros, contrate uma consultoria, use o Kit Como Abrir Um Negócio, enfim, escolha a opção que mais lhe agrada, apenas NÃO ARRISQUE suas economias e o bem-estar da sua família em um chute!


 

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here

Comment moderation is enabled. Your comment may take some time to appear.