Ana Fontes: empreendedorismo é com ela

Ana Fontes
Ana Fontes

No Brasil, as mulheres já representam 40% dos profissionais que investem em projetos próprios. Ana Lúcia Fontes faz parte desse grupo. Prestes a completar 40 anos, a empresária queria um trabalho em que pudesse equilibrar carreira e maternidade. Então, não pensou duas vezes: abriu mão do emprego em uma multinacional para apostar no espaço de coworking MyJobSpace.

Engajada no universo empreendedor, Ana participou de um curso voltado para mulheres empreendedoras na Fundação Getúlio Vargas (FGV), e se animou a colocar outra ideia em prática: uma comunidade colaborativa que visa auxiliar as participantes a desenvolver seus projetos. Nasceu, assim, em 2010, a Rede Mulher Empreendedora.

Ana é graduada em propaganda e pós graduada em marketing pela ESPM e Relações Internacionais pela USP. Participou do PDE – Programa de Desenvolvimento de Executivos da Fundação Dom Cabral. Seu currículo aponta passagem por empresas como Banco Volkswagen, Volkswagen do Brasil e FEBRABAN. Atualmente, além da Rede Mulher Empreendedora e do NATHEIA – Coworking e Eventos, a empresária ministra palestras, atua como consultora e curadora da Virada Empreendedora e do Fórum Empreendedoras.

Nesse bate papo com o Novo Negócio, Ana Lúcia Fontes fala sobre o universo feminino, a importância de mais mulheres na liderança e, é claro, empreendedorismo. Confira:

Novo Negócio – Quando você percebeu que tinha perfil empreendedor?
Ana Lúcia Fontes – Eu trabalhei muito tempo no mundo corporativo, eu era uma executiva de uma empresa multinacional e toda a minha educação e formação foi voltada para trabalhar em uma grande empresa. Um grande motivador foi o fato de não me sentir mais parte do mundo corporativo: percebi que gostaria de fazer coisas novas, que não se encaixavam no modelo das grandes empresas.

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Novo Negócio – Você atua no MyJobSpace e na Rede Mulher Empreendedora. Qual é o conceito desses negócios e como eles começaram?
Ana Lúcia Fontes – O MyJobSpace é um escritório compartilhado para empreendedores e profissionais liberais que não tem escritório próprio e precisam de um lugar para trabalhar. É o que chamamos de espaço de coworking. Hoje, a cidade de São Paulo já tem mais de 60 espaços assim para os empreendedores, que oferecem toda a estrutura para que eles se preocupem apenas com o desenvolvimento de seus negócios. Nós oferecemos internet de alta velocidade, uma biblioteca de negócios, além de um espaço reservado para as refeições (cozinha). Temos também palestras, workshops e oportunidades de networking. Nós oferecemos uma série de benefícios de modo que os empreendedores se preocupem apenas em desenvolver os seus negócios. Já a Rede Mulher Empreendedora é uma rede de apoio online onde publicamos diariamente conteúdos sobre empreendedorismo, dicas sobre como administrar um negócio e conselhos sobre inovação. Além dos artigos e notícias relacionadas ao empreendedorismo, nossas leitoras também podem criar seus perfis gratuitamente. Com esse perfil, as usuárias podem divulgar o seus negócios e trocar informações sobre empreendedorismo com as outras mulheres na rede. unto com o site, temos um grupo de discussão no Facebook, onde elas, todos os dias, trocam ideias, discutem problemas e pedem conselhos e ajudas para outras empreendedoras. Hoje, a rede tem 7.500 mulheres empreendedoras cadastradas. Lancei a Rede Mulher Empreendedora e o MyJobSpace juntos com meus sócios em janeiro de 2011. Eu já conhecia espaços de coworking e conhecia mulheres empreendedoras interessadas em de trabalhar lá. Assim, a ideia inicial era um escritório compartilhado só para as mulheres. Mas com o tempo, mudamos a ideia e hoje homens e mulheres trabalham no espaço.

Novo Negócio – Em sua opinião, os filhos são uma das principais razões que levam uma mulher a empreender. E que características a mulher desenvolve na maternidade e pode aplicar em seu próprio negócio?
Ana Lúcia Fontes – A paciência e a persistência e, principalmente, o perfil multitarefa que todas as mães adquirem. O pequeno empreendedor tem que ser naturalmente versátil, porque ele não poderá contar com especialistas em cada uma das áreas do seu negócio.

“Para mim, a importância de ter mais mulheres se tornando empreendedoras é que assim nós estamos construindo um caminho para um país melhor, um país mais justo.”

Novo Negócio – Conciliar empreendedorismo e maternidade é como trabalhar em qualquer outro lugar?
Ana Lúcia Fontes – Não. Há uma certa diferença. As mulheres sempre perguntam como conciliar tarefas: levar os filhos na escola, tocar a vida pessoal, trabalhar e ainda participar de eventos de networking – importantíssimos para um pequeno negócio, mas que, em geral, ocorrem à noite, o período mais complicado para as mães se ausentarem. Trabalhar meio período é uma opção, se a mulher pretende ter um negócio pequeno. Mas isso não é possível caso a empresa ainda esteja em fase de consolidação, que exige tempo e dedicação. Por fim, a presença dos filhos também é bastante desafiadora, por ser um grande fator de distração.

Novo Negócio – Que dicas você daria para as mulheres que desejam se dedicar a um negócio sem deixar a família de lado?
Ana Lúcia Fontes – Elas precisam ser organizadas, o que não é tarefa fácil. E quando precisarem de ausentar, devido a compromissos de trabalho, é importante que saibam que existe alternativas para deixar os filho em segurança e sem culpa. As minhas permanecem na escola em tempo integral. Quando faltam, por alguma razão, eu trabalho um pouco em casa e, se precisar sair, recorro ao apoio da minha sogra, da minha mãe e do meu marido. O lado bom de ser empreendedora é a possibilidade de administrar o tempo e poder ficar com o filho quando ele estiver doente, por exemplo. Procurar trabalhar próximo à sua residência é o ideal para facilitar a rotina.

Novo Negócio – Você apontou o networking como algo importantíssimo para os empreendedores. Como iniciar uma rede de contatos?
Ana Lúcia Fontes – É bem legal fazer parte de um grupo, porque o contato com as pessoas experientes proporciona ideias de negócio, assim como participar de reuniões de empreendedores, como associações comerciais, Sebrae e Fecomércio. Outra sugestão é eleger uma pessoa, entre os seus contatos, que seja uma espécie de mentora, alguém que ajude nas horas de dificuldade, quando você precisa de apoio ou de dicas. Alem disso, há muitos cursos rápidos que oferecem uma visão geral do que você precisa saber para ser um pequeno empreendedor. É só escolher o seu negócio e seguir em frente.

Novo Negócio – Por que você considera tão é importante incentivar o empreendedorismo entre as mulheres?
Ana Lúcia Fontes – Acredito que quando os negócios vão bem, as mulheres causam um impacto posito muito mais nas suas redes de contatos, para as suas famílias, para a sociedade e para suas comunidades. Uma vez que uma mulher é normalmente aquele que dirige a família e a casa, quando ela tem um negócio, ela não pensar no seu empreendimento como sendo apenas dela. Eu não penso em minha empresa sendo somente minha. Eu penso nos meus negócios como sendo o futuro das minhas filhas e algo que vai me permitir ajudar meus pais. Se a minha empresa está bem colocada no mercado, meus negócios vão ajudar as pessoas que eu ajudar. Eu também posso ajudar as pessoas que trabalham comigo a crescer, porque se o meu negócio cresce, que trabalha comigo também pode crescer. Então, eu acho que essa noção que as mulheres têm de seus negócios faz uma grande diferença e tem um enorme impacto sobre o desenvolvimento de um país. O Brasil é um país empreendedor, se eu não me engano o Brasil é o terceiro país com o maior número de empreendedores no mundo. Estes números crescem em um ritmo incrível e acredito que as mulheres acabam por incentivar o empreendedorismo feminino. Para mim, a importância de ter mais mulheres se tornarem empreendedoras é que estamos construindo um caminho para o nosso país seja um país melhor, um país mais justo, porque as mulheres tem uma relação muito ética com o mercado. As mulheres se preocupam com as pessoas a sua volta. Então, se você incentiva e apoia as mulheres empreendedoras, você, com certeza, irá apoiar o empreendedorismo e o desenvolvimento de um país.

Novo Negócio – Que expectativas você tem para os seus negócios?
Ana Lúcia Fontes – Eu quero que meus negócios cresçam e quero posicioná-los como os melhores do Brasil em suas áreas. Eu quero que a Rede Mulher Empreendedora seja reconhecida como a maior fonte de informações para mulheres empreendedoras no Brasil. Eu quero transformar o meu espaço de coworking em uma incubadora de empresas para ajudar outros empreendedores de pequenos negócios. O meu desejo é continuar o meu negócio como um centro para ajudar outros empreendedores que procuram desenvolver seus negócios no Brasil.

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► Dica Importante!


Independente do tipo de negócio que você deseja montar é muito importante fazer um planejamento. Estude em livros, contrate uma consultoria, use o Kit Como Abrir Um Negócio, enfim, escolha a opção que mais lhe agrada, apenas NÃO ARRISQUE suas economias e o bem-estar da sua família em um chute!


 

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